lunes, 16 de noviembre de 2009

Sociedade X Língua

Vivíamos uma sociedade quase que exclusivamente rural, com pequenos focos de urbanização. Em um certo período esses valores começam a passar por um processo de inversão, através do conhecido êxodo rural, as urbes começaram a inflar e a receber cada vez mais egresos do campo. Este processo se deu quase que exclusivamente, devido a oferta de vagas de emprego e promessas de aumento da qualidade de vida na cidade, até aí, tudo bem. Essa oferta de emprego ocorria em um dos setores menos remunerados e que menos escolaridade se exigia: a construção civil, e esses egressos, na maioria sem nenhuma escolarização e recebendo salários abaixo do necessário para manterem um padrão de vida que possibilitasse o “ascender” socialmente, constituem comunidades marginalizadas ao sistema de produção, que se baseiam no mutualismo como estratégia de sobrevivencia. Nessas comunidades, passa a vigorar um padrão social e linguístico originário do campo, e, portanto desprestigiado pela elite, que era quem tinha acesso à escolarização e aquisição de uma variante baseada em normas gramaticais do nosso idioma. Essa variante linguística de uso das elites já havia sido adotada pela instituição escola como “norma padrão da língua portuguesa”, já a variante linguística utilizada pelos grupos que, involuntariamente, acabaram marginalizados, simplesmente por adotar uma postura defensiva, continua sendo deixada de lado.

Hoje vemos qual o reflexo deste processo, e, na minha opinião, continua tal qual o princípio da urbanização no Brasil, onde a “norma padrão” ainda é tida como ideal e quem não se adecúa a ela acaba sendo taxado de ignorante ou “burro”.

Já é hora de “a educação” abrir os olhos e perceber que sua clientela não se constitui mais de filhos da elite e sim de filhos do proletário, dos operários, dos agricultores e começar a levar essas realidades em consideração dentro da sala de aula, tratando a “norma culta” como apenas uma variante linguística dentro de inúmeras outras existentes em nosso convívio social, e que a mesma é adecuada em determinadas situações e em outras ela não é exigida. Não digo que não se deva trabalhar a lingua culta, mas que se deixe claro que ela é funcional em determinados casos e que esses casos acabam relacionando-se com mobilidade social.

Construção

O homem constrói seu conhecimento desde o momento em que se torna homem. Esta construção se dá de forma natural devido a plena capacidade de o ser humano buscar encontrar sua condição como ser pensante, pesquisador e criador de conhecimento. Seguramente não estagnamos, pelo contrário, vivenciando nosso mundo moderno percebemos que questões filosóficas continuam a ser formuladas, e devem ser continuadas, a fim de tentar encontrar uma solução para nossa sociedade. Esta reconstrução social passa por quebra de conceitos e pré-conceitos, e se dá no ãmbito político pedagógico. Devemos instigar nossos alunos a que consigam pensar, desvincular-se das figuras hierárquicas que insistem em alienar e relegar ao povo a mera condição de massa de manobra. Somos seres pensantes e carregados de conhecimento, portanto somos, também, capazes de formular e compartilhar este mesmo conhecimento, construindo, desconstruindo e reconstruindo-o em sociedade.

sábado, 14 de noviembre de 2009

La perfección


Esta é minha obra mais perfeita, e já seguindo uma das maiores paixões do pai.

O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo.

Ou seria o contrário? Acredito que vivamos em uma sociedade totalmente repressora onde nos tornamos escravos de tantas coisas que nem sabemos ao certo quem realmente somos. Trabalho, trânsito, TV, o futebol de domingo e tantas outras coisas nos privam de pensar, de saber expressar nossa própria vontade, criando medo, muito medo de rompermos esses paradigmas e sermos seres pensantes. A sociedade não precisa pensar, precisa sim produzir e necessita de quem produza, se resolvemos pensar nos tornamos marginais à essa sociedade. Quando poderemos mudar o mundo? A partir do momento em que esses valores sejam invertidos e o homem se torne realmente livre.

lunes, 9 de noviembre de 2009

Só para complementar a última postagem:

"A necessidade do conhecimento faz parte da evolução humana. Em muitos momentos nos perguntamos qual a importância de conhecer, de aprender...
Então à pergunta inicial “saber para quê?” responderíamos enfaticamente: “para transformar o mundo e a si mesmo”." (ARANHA, 1989, P.185)

Pedagogia do oprimido

Passando por textos e autores, encontrei esta citação de Paulo Freire que não posso deixar de postar aqui:
"A pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e
libertadora, terá dois momentos distintos. O primeiro, em
que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e
vão comprometendo-se, na práxis, com a sua
transformação, o segundo, em que transformada a realidade
opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido, e passa
a ser a pedagogia dos homens em processo de permanente
libertação." (FREIRE, 1987,p.43)
Não seria hora de começarmos a por em prática nossa condição de libertos (se estivermos mesmo libertos) e revolucionar a educação como a conhecemos?
Boa semana a todos.

sábado, 7 de noviembre de 2009

Inadequação

Muitas vezes nos deparamos com situações que chegam a nos ferir por dentro... A lingua é viva, e como tal está em constante mutação. Não acredito que devamos classificar falas ou módulos de fala em certo e errado, o que existe sim é a noção de adequado e inadequado. Hoje me deparei com um aluno de Introdução aos Estudos da Linguagem, após ler Vygotsky, Saussure, Piaget e tantos outros, afirmando que uma criança exposta a um meio social que utiliza uma variante linguística diferente daquela pregada pelas elites sociais irá adquirir uma fala errada, e mais, considerou esta variante como errada também. Nenhum ser humano é capaz de utilizar uma linguagem cem por cento gramatical e, por isso, não consigo conceber a ideia de um estudante de linguística afirmar que existam linguagens erradas e certas.